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Crescer com Propósito Num Setor Cada Vez Mais Estratégico

Crescer com Propósito Num Setor Cada Vez Mais Estratégico

Num setor onde a diferenciação nem sempre é evidente à primeira vista, o Centro de Reciclagem da Amadora tem vindo a afirmar-se através de uma proposta clara: simplificar processos, valorizar ativos e responder com rapidez às necessidades de um mercado em constante transformação.

A empresa, fundada em 2014, nasceu de uma mudança de rumo profissional de Marco Santos, que encontrou na reciclagem uma oportunidade em plena crise da construção civil. “Com a crise, muitos empreiteiros enfrentaram dificuldades e eu optei por mudar completamente”, recorda. O início foi marcado pela incerteza, mas também por uma estratégia de experimentação e aprendizagem contínua.

Essa lógica de adaptação mantém-se até hoje, mas com um foco muito mais definido. Atualmente, o negócio está fortemente orientado para duas áreas-chave: a reciclagem de metais e, sobretudo, o abate automóvel — segmento onde a empresa tem reforçado significativamente a sua presença.

Aqui, o posicionamento é claro: oferecer mais valor ao cliente, eliminando complexidade. “Tentamos que as pessoas recebam algo justo e que o processo seja simples. Essa sintonia entre cliente e empresa é fundamental”, sublinha o responsável. Na prática, isso traduz-se num serviço integrado que inclui recolha gratuita da viatura, tratamento de toda a documentação e emissão imediata do certificado de abate. “O cliente não tem de se preocupar com nada — tratamos de tudo e retiramos a viatura do seu nome”, acrescenta.

Escala, Tecnologia e Proximidade Como Fatores Críticos

O crescimento da operação levou à necessidade de reforçar a capacidade instalada e a cobertura geográfica. A expansão para a Margem Sul, com instalações no Barreiro, surge precisamente como resposta à pressão do mercado e à necessidade de ganhar eficiência logística. “As instalações da Amadora já não suportavam a quantidade de material”, explica Marco Santos.

Hoje, a empresa opera com uma infraestrutura robusta, que ultrapassa os 10 mil metros quadrados na Margem Sul, além das unidades na Amadora. Esta presença permite não só aumentar a capacidade de resposta, mas também aproximar-se dos clientes, reduzindo custos operacionais e tempos de transporte.

A escala da operação é outro fator determinante. Com cerca de três mil toneladas de ferro movimentadas mensalmente, a empresa beneficia de acordos sólidos no setor, o que permite melhorar a valorização dos materiais — uma vantagem competitiva direta para os clientes. “Como temos volume e boas relações com os parceiros, conseguimos valorizar mais”, explica.

Paralelamente, o investimento em meios técnicos e humanos tem sido contínuo. Ainda assim, o responsável é perentório quanto à prioridade: “O nosso maior investimento são as pessoas. É aí que está o verdadeiro valor da empresa”. A estrutura operacional é complementada por diversos equipamentos industriais, camiões de vários tipos incluindo pronto-socorros, giratórias, etc, garantindo fluidez e continuidade no serviço, sem paragens.

Mas é na digitalização que se encontra uma das apostas mais recentes e diferenciadoras. O Centro de Reciclagem da Amadora está já a integrar inteligência artificial no atendimento ao cliente, permitindo respostas automáticas fora do horário convencional. “Mesmo à noite ou ao fim de semana, o cliente tem sempre uma resposta e fica logo com uma ideia clara do serviço”, explica. Quando a equipa entra em funcionamento, o processo está já encaminhado, reduzindo tempos de decisão e aumentando a eficiência.

Responsabilidade Social e Consolidação do Futuro

Num negócio tradicionalmente associado a operações industriais, a componente humana e social assume aqui um peso invulgar. Para Marco Santos, o crescimento da empresa deve ser acompanhado por um compromisso ativo com a comunidade. “Sempre tive a preocupação de retribuir. Acho que isso devia fazer parte de todos os empresários”.

Essa filosofia traduz-se em múltiplas iniciativas: apoio a associações, distribuição de bens essenciais, oferta de mais de 400 cadeiras de rodas, colaboração com bombeiros — nomeadamente através da cedência de viaturas para treinos de desencarceramento — e investimento no desporto local. A ligação ao Estrela da Amadora é um dos exemplos mais visíveis dessa estratégia, evoluindo de apoio às camadas jovens, para uma parceria com presença na equipa principal. “É algo natural. A Amadora deu-me tudo e faz sentido retribuir”, sublinha.

Também no contacto com o cliente particular, a empresa procura diferenciar-se através de pequenos detalhes que fazem a diferença. Um exemplo simbólico é a criação de um espaço onde os proprietários podem tirar uma última fotografia ao seu veículo antes do abate — um gesto simples, mas que reconhece o valor emocional associado ao processo.

Em paralelo, o reconhecimento institucional, nomeadamente através dos prémios PME Líder e Excelência, tem acompanhado o percurso da empresa, com distinções recorrentes ao nível da excelência empresarial. Ainda assim, Marco Santos relativiza: “Não trabalhamos para os prémios, mas é sempre bom sermos reconhecidos”.

Olhando para o futuro, a estratégia é clara e revela maturidade empresarial. Mais do que expandir indiscriminadamente, o objetivo passa por consolidar. “Estamos a crescer bastante, mas o mais importante agora é solidificar”, afirma. O reforço da aposta no abate automóvel — nomeadamente nas instalações do Barreiro — é um dos pilares dessa fase.

Num setor cada vez mais relevante para a economia circular e para a sustentabilidade ambiental, o Centro de Reciclagem da Amadora posiciona-se assim como um operador que alia escala, eficiência e visão estratégica — com os olhos postos não apenas no crescimento, mas na consistência a longo prazo.

Fonte: Valor Económico, página 18 (edição 40ª)